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O caminho do mal menor.

 

                                    Quando um ser humano começa a sofrer, seja por qual motivo for, começa a buscar auxílio. Seu corpo, ou sua alma, precisarão de remédio para tolerar a dor ou o desespero. O enfraquecimento do corpo e da mente não faz parte de nossas diversões globalizadas.

 

                                    Estar sensível e atento ao caos social, psicológico ou existencial, deveria ser um exercício  de aprofundamento e questionamento. Estamos em uma sociedade totalmente competitiva e egoísta, para não dizer cruel, na qual ficar doente é colaborar com o consumo de terapias pretensamente científicas.

 

                                    A fraqueza do corpo e sua deterioração parecem um capricho inevitável dos deuses, mas a tranqüilidade da alma e a saúde mental são de nossa responsabilidade, e devem ser conquistadas a qualquer preço. Enfrentar a luta e os desafios da vida deveria nos fortalecer, ao invés de nos enfraquecer. Nem todos resistem às pressões que surgem da complicação e do transtorno do “estar vivo”, criando uma fragilidade que é terreno fértil  para abrigar oportunistas da pesquisa mental e aproveitadores religiosos.  Parar de sofrer é impossível, e como  seres sensíveis,  responsáveis e compromissados com tudo o que vive e respira, somos chamados a definir posições.

 

                                     As verdadeiras doenças, que tiram todo o encanto da vida, envolvem lucro e ambição, pois a sobrevivência não deveria ser desculpa para a nossa selvageria social. Uma alma sadia, mesmo que temporariamente doente, não deve se contaminar com a morbidez e a desesperança. A verdadeira vida espiritual é o caminho do mal menor, a visão corajosa que nos obriga a escolher, mesmo em meio a opções de confusão e deficiência, porém amenizando a severidade consigo mesmo, criando um caminho real para a auto aceitação.

 

                                    Ser humano algum deve se sujeitar a alguém que diz pretender curá-lo. Ninguém está de fato, capacitado a ajudar o coração de alguém que sofre.

 

                                   Meu médico , meu coveiro.

                                   Meu terapeuta, meu vampiro.

 

                                   Somos cobaias de nós mesmos, em um  caminho solitário que só pode ser amparado por uma eterna compaixão solidária.Fazemos parte de um processo que já existia antes de nós e continuará existindo depois, carregar a culpa por isto é não se permitir ser livre, devemos compartilhar este peso com o Cosmos, a cada um a sua medida. O ser humano é “pós” criação, tornando-se uma criatura a descobrir a sua própria identidade.

 

“Por quê me chamas de bom?” , disse Jesus.

“Só meu Pai que está no Céu é bom , e ninguém mais.”

 

                                                     Por Daniel Marczyk

 

 

 

 


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